E se a procrastinação não for preguiça?

10 de junho de 2025

“Não consigo fazer isto agora... Vou ver só mais um vídeo primeiro.”

“Só mais cinco minutinhos no telemóvel e começo!”

“É melhor esperar até sentir mais motivação.”

“Não vale a pena começar agora. Amanhã penso nisto.”


E se esta procrastinação for mais do que um “simples” adiar de tarefas? 

E se esta parte de si que procrastina estiver a tentar protegê-lo/a de sentir algo difícil? 


A procrastinação pode ser uma forma de:

- Evitar o medo de falhar

- Evitar crítica interna

- Escapar à pressão do “perfeccionismo”

- Não entrar em contacto com o medo de ser insuficiente

- Exaustão emocional


Em vez de se julgar por procrastinar, tente questionar-se:

“O que é que esta minha parte pode estar a tentar proteger?”


A procrastinação, na verdade, pode ser uma parte de si a tentar protegê-lo/a de algo mais doloroso: medo, vergonha, crítica…



Comece por observar quando a procrastinação aparece e tente questionar-se mais sobre ela. A transformação começa com a escuta interna. Experimente olhar com curiosidade para esta parte de si, em vez de criticar:

- Quando é que esta minha parte que procrastina surge?

- O que é que esta parte teme que possa acontecer se eu terminar a tarefa? Ou durante a execução da tarefa? Ou mesmo, após já ter terminado?

- Do que é que esta parte precisa para se sentir mais segura?


Talvez a procrastinação não seja o problema, mas sim um sintoma. 

Já tentou conversar com esta parte de si?

Aceitação
Por Andreia Milhazes 13 de fevereiro de 2025
Quando falamos sobre aceitar todas as partes de nós , mesmo as mais difíceis ou de que menos gostamos, muitas vezes isto é confundido com o ato de nos conformarmos, de nos rendermos e desistirmos de mudar. No entanto, aceitar todas estas dimensões é o que nos permite realmente conhecê-las e perceber o que dizem sobre nós e sobre o que precisamos. Não conseguimos mudar aquilo que não conhecemos e, por isso, este processo de descoberta e aceitação é essencial para que possa existir transformação. Geralmente, quando alguém decide procurar terapia , vem com o objetivo de mudar as partes que menos gosta em si. Partes ansiosas que fazem sentir uma agitação constante; Partes perfecionistas e exigentes que não deixam descansar; Partes mais assustadas que trazem bloqueios; … A lista é imensa. Há sempre partes de nós de que não gostamos e que sentimos que “quando finalmente nos livrarmos disto, tudo ficará melhor.” Mas e se estas partes de si tiverem algo importante a dizer sobre o que está a sentir, sobre o que está a acontecer consigo neste momento? E se tentar compreendê-las fizer parte da solução que procura? E se, em vez de tentar eliminá-las, for importante perceber porque fazem parte de si? Eu sei, pode parecer insensato e contraproducente. Afinal, o que mais deseja é ver-se livre do sofrimento que tem sentido e estas partes também são motivo para estas emoções difíceis. No entanto, se elas podem fazer parte do motivo, não será importante tentar compreender o porquê de existirem? Muitas vezes, o foco em eliminar estas partes negligencia a informação que têm para nos dar. Queremos estratégias rápidas, queremos soluções, mas isto parece acalmar apenas por algum tempo, para logo regressar o desespero que conhece. Se se identificar com isto, fica aqui um convite. Da próxima vez que sentir uma destas partes a dominar dentro de si, questione-se: Onde sente esta parte no seu corpo? O que é que ela gostava que soubesse? Há alguma coisa que esta parte está a tentar fazer por si? Há quanto tempo é que ela existe? O que a preocupa? Como pode ajudá-la? O que precisa de si? Se não conseguir respostas, está tudo bem. Isto é bem mais difícil do que pode parecer. Quando voltar a sentir esta parte, procure experimentar novamente uma atitude de curiosidade e ver o que vai descobrindo sobre ela e sobre si. A terapia pode ser uma ferramenta crucial para esta descoberta.
Porque choramos
Por Andreia Milhazes 1 de novembro de 2024
Embora o choro seja muitas vezes algo que tentamos conter – por medo de mostrar fragilidade ao outro, por não querermos sentir a nossa própria dor – a verdade é que as nossas lágrimas têm várias funções importantes . Quando vemos alguém chorar, ativamos empatia e compaixão no outro. Essa é a função social do choro. Funciona como um sinal de que o outro precisa de nós ou de que nós precisamos do outro, do seu apoio, de carinho e conforto. Para além disto, as nossas lágrimas são compostas por hormonas de stress (como a hormona adrenocorticotrópica). Estas hormonas surgem por estarmos a lidar com um momento difícil e precisam de ser libertadas através do choro. As lágrimas são a forma de as expulsar, caso contrário ficam contidas no nosso corpo e tornam-se tóxicas trazendo, por exemplo, tensão muscular e aumento da pressão sanguínea. Assim, chorar funciona quase como um analgésico. Permite-nos libertar a dor que sentimos e ajuda-nos a melhorar o humor. Quando acompanhados, estas lágrimas são também um pedido de ajuda, um ponto de conexão e empatia. Permitir-nos chorar não é fraqueza, é uma parte importante de sentir e de processar o que está a ser difícil. #Chorar #SaúdeEmocional #ExpressãoEmocional #LibertarAsLágrimas #Empatia #ConexãoHumana #FunçãoDoChoro #ProcessarADor #SaúdeMental #CuidarDeSi #BemEstar #Psicologia #OnPsyCare
descanso
Por Andreia Milhazes 5 de agosto de 2024
“Quero descansar, mas a culpa não me larga. Sinto sempre que deveria estar a fazer alguma coisa mais produtiva” “Não sei quando terei novamente tempo para descansar, por isso quero aproveitar ao máximo as férias para fazer tudo aquilo que não tenho conseguido fazer” “As férias vão passar a correr e daqui a pouco volta tudo ao mesmo… o cansaço de sempre.” “Costumo ser eu a lidar com certas tarefas. E se não sabem resolver as coisas direito? E se chego e tenho um monte de problemas para resolver?” Ir de férias pode ser ótimo, um momento para relaxar, sair da rotina e aproveitar com as pessoas que mais gostamos. No entanto, pode também trazer stress, ansiedade, culpa e outras emoções difíceis. Numa sociedade tão agitada - onde muitos normalizamos o cansaço e priorizamos a produtividade - pode ser muito difícil parar. Nesta altura do ano é comum explorar-se em consulta como um momento que é suposto ser de relaxamento e de descanso pode tornar-se uma situação difícil. Há vários motivos possíveis, alguns deles: - Sentir culpa por descansar, por não fazer nada de “produtivo”; - Colocar muita pressão para que tudo seja perfeito depois de tanto tempo a idealizar estas férias; - Sentir ansiedade só de imaginar que, entretanto, estará de regresso à rotina de trabalho sem fim; - Medo de como será gerido o trabalho na sua ausência, do que pode ficar pendente e aumentar a carga do que terá de resolver depois. Algo comum a todos estes motivos é que as férias são na verdade uma aparente solução rápida para o cansaço acumulado, mas uma solução temporária. As dificuldades em permitir o descanso e o equilíbrio na vida pessoal e de trabalho já estavam presentes e não vão solucionar-se com esta pequena pausa. Podem atenuar, mas com o tempo, o caos e o cansaço regressarão. Ao explorar isto, normalmente, podemos notar, em outras coisas, sentimentos de culpa, autocrítica intensa, perfecionismo, dificuldade em dizer que não e estabelecer limites, dificuldades em criar uma rotina de autocuidado e de lazer. Identificamos que o descanso não tem sido uma prioridade. É comum que o trabalho invada a vida pessoal da pessoa, trabalhando horas extra constantemente, não tendo intervalos, respondendo a emails a qualquer hora do dia, não tendo tempo para fazer coisas que gosta. O espaço para esta vida pessoal tende a ser dado nos fins de semana e nas férias. Assim, quando chegam estes momentos tão esperados para viver fora do trabalho, surge a ansiedade. Se se identifica com o que foi descrito até agora, é provável que precise de repensar não o momento de férias, mas como tem vivido o dia a dia de trabalho. O que está a precisar de mudar para encontrar o equilíbrio de que precisa? Não espere até ao ponto de cansaço extremo para poder abrandar. Fazer estas mudanças pode ser extremamente difícil. Aprender a colocar limites, a dizer que não, delegar tarefas, reconhecer aquilo que precisa e comunicá-lo. A terapia pode ajudar. #Férias #Relaxamento #BemEstar #Ansiedade #Stress #Equilíbrio #Autocuidado #Produtividade #Culpa #Perfeccionismo #Limites #Trabalho #Lazer #VidaPessoal #Rotina #SaúdeMental #Terapia #Cansaço #Mudança #Autocrítica
Alguns desafios psicológicos de emigrar
Por Pedro Fraústo 20 de maio de 2024
Vários são os motivos que nos podem levar a emigrar: seja porque procuramos novas experiências, porque procuramos melhores oportunidades e condições de vida do que aquelas que encontramos no nosso país ou, entre outros motivos, porque somos forçados a abandoná-lo o por conta da guerra ou de catástrofes naturais. Quando emigramos, podemos sentir dificuldades que não esperávamos. Assim que chegamos a um novo país, deparamo-nos com várias mudanças: a língua que se fala, como funcionam os transportes públicos, os percursos para o trabalho, para o supermercado, para a farmácia e para serviços de Saúde, as leis e as regras fiscais e, entre outras, a forma como as pessoas se relacionam entre si e como vêem e tratam os imigrantes. Ao encontrarmo-nos num país diferente e ao viver todas estas mudanças, especialmente quando não temos familiares ou amigos próximos, podemos: - Sentir-nos isolados, sozinhos e tristes, passando mais tempo do que era costume a pensar nas relações e nas rotinas que deixámos para trás. - Sentir-nos deslocados e pensar que “não encaixamos ali”, principalmente quando não dominamos a língua e não nos estamos a adaptar às rotinas e costumes. - Sentir-nos irritados, connosco mesmos ou com a situação do nosso país, porque algo nos levou a sair da zona de conforto quando não o queríamos assim tanto. - Sentir-nos angustiados e/ou frustrados, porque imaginámos uma situação melhor e, agora, vivemos dificuldades que não esperávamos. - Sentir-nos ansiosos, porque não sabemos bem o que fazer e temos de tomar decisões sobre permanecer no estrangeiro ou, então, voltar para o nosso país. Todos estes sentimentos podem aparecer, de forma mais ou menos intensa, quando nos estamos a adaptar à vida num país estrangeiro. Por vezes, à medida que o tempo passa e vamos conhecendo as pessoas e os lugares, vamos desenvolvendo os recursos necessários para nos adaptarmos… e esses sentimentos acabam por desaparecer. Outras vezes, esses sentimentos perduram ou são muito intensos, impactando o nosso bem-estar e qualidade de vida. Lembre-se, os Psicólogos podem ajudar.
E se essa emoção pudesse falar? O que é ela que diria?
Por Andreia Milhazes 3 de maio de 2024
As nossas emoções têm um papel crucial em ajudar-nos a processar o que nos acontece, a dar mais significado à nossa vida e a perceber o que é realmente importante para nós. Ajudam-nos a conectar connosco e com os outros e a entender aquilo que precisamos destas relações.
Os 7 tipos de descanso
Por Andreia Milhazes 27 de fevereiro de 2024
Tipicamente, quando pensamos em descanso, pensamos num descanso mais físico. Um dia relaxado, dormir até mais tarde, não fazer muita coisa. Embora este seja um tipo de descanso importante, existem outros (igualmente cruciais para o bem-estar).
Como colocar limites à preocupação excessiva?
Por Andreia Milhazes 27 de janeiro de 2024
Embora a preocupação seja importante para o nosso funcionamento, quando esta passa a ocupar grande parte do dia, torna-se uma fonte de sofrimento. Neste caso, é importante aprender a colocar alguns limites à intrusividade desta preocupação.
O luto de uma pessoa amada envolve muitas perdas
Por Andreia Milhazes 22 de outubro de 2023
O luto de uma pessoa amada envolve muitas perdas.
Não consigo parar de me preocupar
Por Andreia Milhazes 30 de setembro de 2023
A preocupação faz parte de nós. Precisamos dela para nos organizarmos e prepararmos para gerir os desafios que surgem. No entanto, muitas vezes, a preocupação ganha demasiado espaço na nossa mente e parece tornar-se incontrolável.
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