Aceitação e Transformação em Psicoterapia

Andreia Milhazes • 13 de fevereiro de 2025

Quando falamos sobre aceitar todas as partes de nós, mesmo as mais difíceis ou de que menos gostamos, muitas vezes isto é confundido com o ato de nos conformarmos, de nos rendermos e desistirmos de mudar. No entanto, aceitar todas estas dimensões é o que nos permite realmente conhecê-las e perceber o que dizem sobre nós e sobre o que precisamos. Não conseguimos mudar aquilo que não conhecemos e, por isso, este processo de descoberta e aceitação é essencial para que possa existir transformação.


Geralmente, quando alguém decide procurar terapia, vem com o objetivo de mudar as partes que menos gosta em si. Partes ansiosas que fazem sentir uma agitação constante; Partes perfecionistas e exigentes que não deixam descansar; Partes mais assustadas que trazem bloqueios; … A lista é imensa. Há sempre partes de nós de que não gostamos e que sentimos que “quando finalmente nos livrarmos disto, tudo ficará melhor.”

Mas e se estas partes de si tiverem algo importante a dizer sobre o que está a sentir, sobre o que está a acontecer consigo neste momento? E se tentar compreendê-las fizer parte da solução que procura? E se, em vez de tentar eliminá-las, for importante perceber porque fazem parte de si? 

Eu sei, pode parecer insensato e contraproducente. Afinal, o que mais deseja é ver-se livre do sofrimento que tem sentido e estas partes também são motivo para estas emoções difíceis. No entanto, se elas podem fazer parte do motivo, não será importante tentar compreender o porquê de existirem? 

Muitas vezes, o foco em eliminar estas partes negligencia a informação que têm para nos dar. Queremos estratégias rápidas, queremos soluções, mas isto parece acalmar apenas por algum tempo, para logo regressar o desespero que conhece. Se se identificar com isto, fica aqui um convite. Da próxima vez que sentir uma destas partes a dominar dentro de si, questione-se: 


Onde sente esta parte no seu corpo? O que é que ela gostava que soubesse? Há alguma coisa que esta parte está a tentar fazer por si? Há quanto tempo é que ela existe? O que a preocupa? Como pode ajudá-la? O que precisa de si?


Se não conseguir respostas, está tudo bem. Isto é bem mais difícil do que pode parecer. Quando voltar a sentir esta parte, procure experimentar novamente uma atitude de curiosidade e ver o que vai descobrindo sobre ela e sobre si. A terapia pode ser uma ferramenta crucial para esta descoberta.

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